Logo nas primeiras semanas a seguir à concepção, observam-se no organismo da mulher profundas alterações anatómicas e fisiológicas.
Algumas dessas alterações aparecem antes das necessidades fetais o justificarem, como é o caso do aumento do volume mamário. Outras vão-se estabelecendo à medida que o desenvolvimento fetal o justifica.
A grande alteração que ocorre na gravidez é o aumento do útero, que para ser capaz de conter o produto de concepção cresce muito rapidamente, chegando aos 1200 gramas no final da gravidez ( o peso do útero não grávido é de 40 a 70 gramas). Até as 10º semanas de gravidez, o útero está restrito à cavidade pélvica, mas a partir dai, o seu aumento evidencia-se sobre o abdómen.

Como resultado dos efeitos relaxantes da progesterona sobre o músculo liso, a resistência vascular venosa diminui significativamente durante e gestação, o que reduz a velocidade do fluxo sanguíneo venoso e contribui para estase venosa.
Durante a gravidez ocorre expansão torácica, pelo relaxamento dos ligamentos e músculos intercostais, e ascensão do diafragma pelo crescimento uterino, que resulta num aumento da capacidade inspiratória no decorrer da gravidez, aumentando o volume corrente e a frequência respiratória.
A função dos músculos respiratórios não se modifica significativamente durante a gravidez, mas os músculos abdominais tornam-se progressivamente menos activos com o aproximar do termo.
A modificação postural é um mecanismo compensatório que tende e minimizar os efeitos ligados ao aumento de massa e distribuição corporal na grávida. Por exemplo a hiperlordose lombar deve-se à distensão dos músculos da parede abdominal e à projecção do corpo para a frente do centro de gravidade, devido ao aumento do volume no abdómen.
Nos últimos meses de gravidez, para manter o equilíbrio, as mulheres tendem a projectar os ombros e pescoço para a frente, aumentando a cifose torácica, para reencontrar o equilíbrio postural, o que pode provocar um ligeiro formigueiro nos membros superiores por compressão das raízes nervosas. Podem surgir desta forma, dores de costas pelo excesso de tensão em varios grupos musculares, não sendo por isso aconselhável ficar muito tempo em pé ou carregar pesos.
As lesões ortopédicas, que ocorrem com alguma frequência durante a gravidez, são devidas ao híper-relaxamento ligamentar, devido à actividade da relaxina, e às alterações no equilíbrio da mulher. A medida que o volume uterino aumenta acentua-se a lordose lombar, o que pode estar na origem de lombalgias aumentando o risco de hérnia discal.
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